Programa de Pós-Graduação Lato Sensu
Curso: Especialização em Educação de Jovens e Adultos
Disciplina: EJA
Professora: Sandra Viana
Alunas: Luana Pinheiro Franco FerreiraMatrícula: 11121606
Maria Cândida Martins-Matricula: 11121608
Rita de Cassia Porto dos Santos-Matricula: 11121610
Rosangela Pinheiro - Matrícula:11121611
Pesquisa: Movimentos Sociais para EJA
1º semestre de 2012
INTRODUÇÃO
O fato e a razão de pessoas se associarem a outras para conquistar sua inserção social e, o fato de grupos travarem verdadeiras lutas sociais para forçar o reconhecimento sociopolítico e econômico de sua organização como forma de valorar sua expressão cultural, caracteriza os movimentos sociais. Desta forma, o contato (ou relação) entre pessoas que compartilham um mesmo tipo de sentimento é crucial para a formação dos movimentos sociais.
Contudo, tendo como foco principal desta pesquisa a relação dos Movimentos Sociais com a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é importante destacar as ações governamentais e não governamentais no que diz respeito à alfabetizaçãoe às políticas educacionais, ao longo da história brasileira recente. Tais ações estão associadas à questão da democratização do acesso à alfabetização e à leitura e/ou ao seu impedimento.Com efeito, apresenta-se a seguir algumas considerações a respeito da educação no Movimento dos Sem-Terra (MST).
O MST – MOVIMENTO DOS SEM-TERRA – E A EDUCAÇÃO
Na luta dos sem-terra pela reforma agrária também está incluída, além da conquista da terra, a conquista por cidadania plena, cujo exercício exige a educação numa prática da autonomia do pensamento. Sendo assim, a filosofia da educação do MST parte do pressuposto da união de todos, pois o processo da educação tem uma dinâmica que abrange a participação das crianças, das mulheres, dos jovens e dos idosos, na tentativa de construir novas relações e consciências.
A reunião de participantes do MST para aprender e ensinar o alfabeto encerra uma prática, cujo propósito implica o exercício freireano, em que o ato de ler e escrever a realidade e a vida que experimentam ergue o reflexo de suas reais condições com vistas às mudanças sociais.
A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO DO MST
A educação nos acampamentos e assentamentos tem seus princípios filosóficos voltados para:
· a formação da sociedade por meio de valores humanistas e socialistas;
· a transformação social;
· a cooperação;
· a valorização do indivíduo.
Baseados em valores humanistas e socialistas, os princípios da Educação do MST têm como meta a formação de indivíduos para a transformação da sociedade.
COMO SE ENSINA?
Para atingir os princípios da Educação do MST, determinadas habilidades e capacidades são fomentadas pelo relato das experiências de vida dos trabalhadores (no caso da educação de adultos). As situações cotidianas da vida no campo tornam-se, assim, objeto de reflexão do comportamento dos participantes do MST.
De acordo com o Boletim de Educação do MST, o Movimento determina o rol de conteúdos a serem ensinados em suas escolas, baseando-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) acrescidos de técnicas agrícolas e comerciais, além de direitos humanos. O mesmo boletim prestigia a cooperação e a expressão de uma cultura própria como meta da prática pedagógica.
Há várias ações ligadas à filosofia de ensino do MST. O núcleo de educação local, as formações permanentes de educadores e atividades de pesquisa nas práticas da terra contribuem para fundar um modo de vida que atenda às necessidades do grupo. Professores da rede pública de ensino ajudam na educação desses estudantes.
Desde 1987 há um setor de Educação associado aos diferentes núcleos de educação, organizado em 23 estados brasileiros. O setor de educação regula as atividades educacionais, de modo que se cumpram os objetivos de:
· educar crianças de até seis anos;
· estabelecer escolas de 1ª a 8ª série nos acampamentos e assentamentos;
· alfabetizar e pós-alfabetizar jovens e adultos que não tiveram acesso aos estudos.
O setor de Educação, como núcleo administrativo do ensino no MST, também garante o trâmite de reconhecimento do grau obtido nas escolas do MST pelo Ministério da Educação e do Desporto (MEC), o que possibilita aos alunos o ingresso ao ensino superior comum.
MOVIMENTO BRASILEIRO DE ALFABETIZAÇÃO– MOBRAL (1967-1985)
No Período do Regime Militar foi implantado o Movimento Brasileiro de Alfabetização – o MOBRAL, que propunha alfabetizar adolescentes e adultos para diminuição do alto índice de analfabetismo.Esse Movimento partiu das campanhas de alfabetização de adultos iniciadas por Lourenço Filho. E foi introduzido a partir da Lei 5.379 de 15 de dezembro de 1967, que determinoua alfabetização funcional de adolescentes e adultos, e a educação continuada “visando conduzir a pessoa humana (sic) a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida” (apud BELLO, 1993). No entanto, o MOBRAL só expandiu-se pelo país (Brasil) em 1970. Contudo, essa alfabetização não valorizava a reflexão e a crítica às práticas sociais, mas apenas educar o indivíduo para ler, escrever e calcular.
Segundo Bello (1993) quanto à estrutura administrativa o MOBRAL:
“Era uma árvore de siglas, propiciando o empreguismo característico das repartições públicas. A estrutura administrativa propunha-se a ser descentralizada e subdividida em quatro níveis: a secretaria executiva (SEXEC), as coordenações regionais (COREG), as coordenações estaduais (COEST) e as comissões municipais (COMUN). A estrutura organizacional dividia-se em gerências pedagógicas (GEPED), mobilização comunitária (GEMOB), financeira (GERAF), atividades de apoio (GERAP) e em assessoria de organização e métodos (ASSOM) e assessoria de supervisão e planejamento (ASSUP). Essa estrutura foi alterada por três vezes entre os anos de 1970 e 1978, sempre criando mais cargos. Em 1973, só no MOBRAL central estavam alocados 61 técnicos de formação acadêmica. Neste corpo constam inclusive cinco técnicos de formação militar.” (BELLO, 1993)
A partir do fragmento entende-se que apesar de o MOBRAL apresentar uma estrutura administrativa bem dividida prevaleceram os interesses políticos. Até na seleção dos profissionais. E para melhorar o programa e acreditando que a lei se referia à educação continuada criaram o Plano de Educação Continuada para Adolescentes e Adultos. A partir deste foram criando novas estratégias para manter o Movimento como:o Programa de Educação Integrada; o Programa Cultural e o Programa de Profissionalização; e depois o Programa de Diversificação Comunitária; o Programa de Educação Comunitária para a Saúde; e numa visão da educação geral o Programa de Autodidatismo.
Segundo Corrêa (apud BELLO, 1993) o Programa de Alfabetização Funcional apresentava seis objetivos:
“1. Desenvolver nos alunos as habilidades de leitura, escrita e contagem; 2. Desenvolver um vocabulário que permita o enriquecimento de seus alunos; 3. Desenvolver o raciocínio, visando facilitar a resolução de seus problemas e os de sua comunidade; 4. Formar hábitos e atitudes positivas, em relação ao trabalho; 5. Desenvolver a criatividade, a fim de melhorar as condições de vida, aproveitando os recursos disponíveis; 6. Levar os alunos: - a conhecerem seus direitos e deveres e as melhores formas de participação comunitária; - a se empenharem na conservação da saúde e melhoria das condições de higiene pessoal, familiar e da comunidade; - a se certificarem da responsabilidade de cada um, na manutenção e melhoria dos serviços públicos de sua comunidade e na conservação dos bens e instituições; - a participarem do desenvolvimento da comunidade, tendo em vista o bem-estar das pessoas.” (apud BELLO, 1993)
Analisa-se que os objetivos específicos os quais Corrêa descreve, repassam uma visão de educação que imputa a responsabilidade aos educandos, com discursos que não evidenciam os desejos reais da clientela. E Bello (1993) aponta também a questão de direcionar aos discentes todas as responsabilidades de conhecer seus direitos e deveres, sem apresentar o papel do governo e levantar reflexões sobre a ação deste. E também era uma educação que não criticava as questões políticas, e sem a visão de formar sujeitos críticos para agir no meio social e político.
Os profissionais do Movimento Brasileiro de Alfabetização argumentavam que a ordem pedagógica utilizada era baseada nas vivências significativas dos indivíduos. E quanto a sua metodologia partia das palavras geradoras assim como o Método Paulo Freire. Desse modo, o autor Corrêa apresenta uma série de procedimentos para o processo de alfabetização desse Programa:
“1. Apresentação e exploração do cartaz gerador; 2. Estudo da palavra geradora, depreendida do cartaz; 3. Decomposição silábica da palavra geradora; 4. Estudo das famílias silábicas, com base nas palavras geradoras; 5. Formação e estudos de palavras novas; 6. Formação e estudos de frases e textos (apud BELLO, 1993).”
Já o Programa de Educação Integrada iniciou-se em 1971, mas expandiu-se entre os anos de 1972 e 1976, tomou força em 1977. Este Programa era relacionado à progressão dos estudos, e o educando dito alfabetizado era promovido para outra etapa, dando continuidade aos seus estudos. Para essa Educação Integrada construíram um Conjunto Didático Básico para ser usado em todo o país. E a Metodologia apresentada oferecia aspectos do Programa de Alfabetização Funcional e juntamente trabalhava as atividades de acordo com as quatro primeiras séries do primeiro grau. Foram formulados para este Programa os seguintes objetivos gerais e específicos citados pelo autor Corrêa:
“1. Propiciar o desenvolvimento da autoconfiança, da valorização da individualidade, da liberdade, do respeito ao próximo, da solidariedade e da responsabilidade individual e social; 2. Possibilitar a conscientização dos direitos e deveres em relação à família, ao trabalho e a comunidade; 3. Possibilitar a ampliação da comunicação social, através do aprimoramento da linguagem oral e escrita; 4. Desenvolver a capacidade de transferência de aprendizagem, aplicando os conhecimentos adquiridos em situações de vida prática; 5. Propiciar o conhecimento, utilização e transformação da natureza pelo homem, como fator de desenvolvimento pessoal e da comunidade; 6. Estimular as formas de expressão criativa; 7. Propiciar condições de integração na realidade socioeconômica do país”. “E os específicos: 1. Proporcionar conhecimentos básicos relativos aos conteúdos das diferentes áreas, correspondente ao núcleo comum das quatro primeiras séries do ensino do primeiro grau, observando as características de funcionalidade e aceleração; 2. Fornecer informações para o trabalho, visando o desempenho em ocupações que requeiram conhecimentos a nível das quatro primeiras séries do primeiro grau, proporcionando condições de maior produtividade, aos já integrados na força de trabalho, e permitindo o acesso a níveis ocupacionais da maior complexidade.” (apud BELLO 1993).
Entende-se que a educação deste Programa visava formar educandos para responder as expectativas do governo, enquadrados ao sistema. E na essência deste percebe-se que todo o processo do ensino correspondia em tornar o indivíduo produto e não sujeito. E o autor Bello afirma que “outro aspecto que deve ser notado é a preocupação com a formação da mão-de-obra e a colocação no mercado de trabalho, e os quais mais tarde passaram a ser adotados como Programas do MOBRAL.”
O Programa MOBRAL Cultural teve início em 1973, para complementar o trabalho pedagógico. Seu objetivo era trabalhar a cultura do mobralense e da comunidade a qual está inserida. E servia também para reforçar a alfabetização, e buscava a redução da evasão e da reprovação, e o incentivo a cooperação na comunidade. Além disso, propagar a visão do MOBRAL e sensibilizar para o Programa. Apresentava também a democratização da cultura, porém na realidade educacional buscava resguardar e reproduzir os valores culturais.
O Programa de Profissionalização introduzido em 1973 objetivava a formação para o trabalho. E algumas empresas credenciaram-se para ajudar no desenvolvimento deste, como o PIPMO (Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-Obra), as Casas Sendas (com treinamento de empregadas domésticas) e Massey – Ferguson (com treinamento de tratoristas). E a metodologia era única para todo o país, sendo que poderia sofrer poucas adaptações. E também, era primordial considerar as potencialidades e tornaros indivíduos “treináveis”, para as empresas trabalharem as técnicas específicasdo seutrabalho. Além disso, para o sujeito obter a mobilidade no mercado de trabalho era necessário agrupar conteúdos semelhantes às várias funções. Com isso, a chamada família ocupacional, a qual acompanha com rapidez as variações no mundo do trabalho. E ainda, quanto à exigência da formação deveria ser correspondente ao público-alvo do projeto, com uma duração mínima, e com horários para os estudos que facilitavam a inclusão dos adultos.
O Programa Diversificado de Ação Comunitária passava por três fases: “mobilização da comunidade, organização de grupos e manutenção do trabalho”. A primeira fase buscava incitar a população para o exercício do planejamento elaborado e executado pela comunidade, através da análise das reais necessidades e dos seus desejos. E na segunda fase baseada na percepção da comunidade os grupos iriam trabalhar. E na terceira realizar o gerenciamento do PRODAC, e constantemente promover reuniões de grupo para discutir novas formas de ação, divisão das etapas, compromisso, avaliação, e quando preciso rever alguns itens do plano.
O Programa de Educação Comunitária para a Saúde buscou atender os discentes e englobar a sua comunidade. E para alcançar também a comunidade foi elaborada uma cartilha, conhecida como Documento sobre o Conteúdo Básico de Educação Sanitária do Ministério da Saúde. E o autor Corrêa afirma que o Programa estabeleceu o seguinte objetivo geral: “propiciar a melhoria das condições de saúde das populações residentes na área de atuação do Programa, principalmente as mais carenciadas, através de trabalho de natureza educacional.” (apud BELLO, 1993). E como objetivos específicos:
“1. Motivar e possibilitar mudanças de atitudes em relação à saúde; 2. Estimular e orientar a comunidade para o desenvolvimento de ações que visem a melhoria das condições higiênicas e alimentares e dos padrões de saúde, a partir das necessidades sentidas; 3. Desenvolver uma infraestrutura de recursos humanos, pertencentes às comunidades a serem atingidas pelo Programa, para atuação no campo da educação para a saúde; 4. Integrar esforços aos de entidades que atuam na área de saúde e outras, a fim de maximizar recursos para uma efetiva melhoria das condições de saúde, saneamento e alimentação.” (apud BELLO, 1993)
Percebe-se que era uma educação a qual estabelecia aos educandos e a comunidade a importância de modificar as suas atitudes para melhorar a qualidade de vida, ausentando a discursão sobre o dever do Estado de pavimentar as ruas e oferecer saneamento básico a população. Propunha que dependia só deles para a obtenção de uma vida saudável.
O Programa de Autodidatismo era direcionado a ex-alunos e a toda comunidade. Ele buscava capacitar a sua clientela para tornar agentes da sua própria aprendizagem. E delimitaram como objetivos gerais: oferecer possibilidades para tornar os discentes autodidatas; possibilitar a educação continuada, com atividades que permitam adquirir o costume de aperfeiçoamento educacional.
Portanto, o MOBRAL esteve presente como programa de alfabetização e educação continuada durante o ano de 1970 a 1985 no período da Ditadura Militar. Propunha a alfabetização e o desenvolvimento educacional dos educandos, mas com um ensino baseado numa contextualização da elite cujo não correspondia com a sua clientela popular. E repassava uma educação opressora e sem significado, no qual o indivíduo não se caracterizava com os estudos. Os técnicos do Programa afirmavam que a metodologia utilizada estabelecia a mesma proposta do Método Paulo Freire, porém a essência do Método não era empregada como: tratar a educação como um ato político, baseada na criticidade e na contextualização do público destinado. A metodologia de trabalho da Alfabetização era um produto usado da mesma forma em todo o país, sem a valorização da história e da cultura de cada povo. Este Movimento Brasileiro de Alfabetização foi extinto em 1985, por não produzir qualidade no seu processo e devido o estabelecimento de uma educação deficiente e de um período curto para a conclusão do curso.
MOVA - MOVIMENTO DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
COMO COMEÇOU ?
Em 1989 em São Paulo durante a gestão de Paulo Freire na secretaria de educação de São Paulo, com uma proposta que reunia Estado e Organizações da Sociedade Civil, para combater o analfabetismo entre jovens e adultos.
INSTALAÇÕES
Suas salas estão instaladas onde existem poucas escolas e grande demanda por educação básica. Geralmente são utilizadas igrejas, creches, associações e empresas, lugares em que há espaço e necessidade. A capacidade de se adequar a realidade e as necessidades dos alunos,isto é, poupando o custo e o desgaste de transporte,pois geralmente ficam próximos de suas casas.
EXIGÊNCIAS
As exigências com relação à faltas e horários são menores do que e em uma escola tradicional (uma vez que a maior parte dos alunos trabalham e têm obrigações familiares), além do conteúdo ensinado estar mais relacionado com o cotidiano de um adulto que já tem uma experiência de vida, cabendo aos educadores fazer uma mediação entre o saber do aluno e a educação formal.
FUNCIONAMENTO
Funcionam a partir de convênios, entre prefeitura e entidades assistenciais, sociedades e associações. A prefeitura custeia as despesas dos educadores e entidades e se responsabilizam pelo local das aulas.Cada sala tem cerca de 15 à 25 alunos,com duração de 3 horas e são 4 vezes por semana geralmente noturno.
OBJETIVO
Tem como objetivo assegurar a todos os jovens e adultos a escolaridade,combatendo o preconceito em relação ao analfabetismo. Nos dias de hoje, o Mova é um movimento que dá oportunidades para adultos e jovens que necessitam de apoio na sua alfabetização. Já existem em vários municípios como Porto Alegre, Alvorada, Cachoeirinha, Caxias do Sul, bem como nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Minas Gerais.
METODOLOGIA DO MOVA
A prática educativa que o MOVA se propõe, vem a ser libertadora, onde deve proporcionar aos sujeitos envolvidos a compreensão de que a forma como o mundo está sendo não é a única possível: conscientização.
O conhecimento construído desta forma, tem a função de motivar e impulsionar a ação transformadora.As pessoas devem entender a realidade como modificável e a si mesmo como capaz de modificá-la.
Para Paulo Freire o diálogo é condição para o conhecimento, que implica comprometimento com a promoção da vida. O ato de conhecer se dá num processo social e é o diálogo o mediador desse processo.
A prática pedagógica referenciada nos princípios teórico-metodológicos freirianos adquire uma dimensão estética e ética, movida pelo desejo, pela generosidade, pela esperança e vivida com alegria.
O educador que deve assumir a prática pedagógica no MOVA, precisa perguntar quem são as pessoas, que se abra a ouvi-las dizer como elas desejam e não desejam ser, em que mundo querem viver, a que mundo de vida social estão dispostas a ser preparadas para preservar, criar ou transformar.
Mesmo que a prática seja pautada em uma educação progressista libertadora, assumindo uma dimensão política, estética e ética.
O profissional envolvido nesta prática, necessita rejeitar a discriminação, reflete de forma contínua e crítica sua prática, com rigor metodológico e participação política, mobilizando socialmente onde atua.
Quando os educandos decidem retornar ou freqüentaras salas de aula, precisam enfrentar obstáculos e preconceitos, buscam superação em função de um enorme desejo de aprender. Por isso, precisam ser acolhidos de forma que permaneçam em sala de aula.
As metodologias utilizadas precisam alimentar constantemente o desejo de aprender, proporcionando um ensino comprometido com aprendizagens significativas, levando em conta sempre o que os educando necessitam ou buscam aprender.
O projeto MOVA-BRASIL, considera esta realidade dos educandos, elaborou seu Projeto Político- Pedagógico voltado para construção ativa e participativa dos diversos segmentos que o compõem.
São realizados encontros de formação dos coordenadores locais e educadores, divididos em dois momentos : o primeiro momento do encontro, trata da formação inicial, que tem por objetivo possibilitar uma aproximação com os objetivos do projeto, sua estrutura e funcionamento e avaliação do processo.
O segundo momento destina-se á formação continuada, a fim de elaborar o planejamento, refletir sobre a prática, avaliar as ações realizadas e realizar a sistematização de experiências.
O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM
As práticas pedagógicas dos educadores do MOVA-BRASIL, é feita por meio de um trabalho de aproximação e compreensão do universo dos educandos, identificando a história de vida dos educandos, realizando um diagnóstico inicial da leitura, escrita e matemática, a pesquisa sobre a realidade da comunidade em que estão inseridos.
Depois deste mapeamento do perfil da turma, através desta relação com educando, conhecendo as situações significativas, a turma identifica um tema gerador, que geram os conteúdos que serão trabalhados.
O plano de aula é diário e deve ser elaborado desde o início dos trabalhos com o grupo, contribuindo para a organização, se estabelece objetivos e metas, as atividades propostas relacionam-se com os objetivos e metas, as atividades propostas relacionam-se com os objetivos definidos.
AVALIAÇÃO
A avaliação é contínua: os educandores em sua aprendizagem, identificando o que foi aprendido ou não, e novas propostas de atividades surgem para garantir o avanço do conhecimento.
O portifólio dos educandos, vai se construindo ao longo de todo o processo, não é apenas coletânea dos melhores trabalhos, mas utilizado como ferramenta para identificar o crescimento e como o processo de desenvolvimento e participação dos educandos vem acontecendo.
Com o portifólio, pode-se analisar os aspectos cognitivos, políticos e sociais, tendo em vista as características próprias de desenvolvimento de cada um.
Ao participar da seleção das atividades, para o portifólio e na avaliação comos educadores, os educandos percebem seus avanços e são motivados a continuar.
O MOVA-BRASIL vem trazendo a possibilidade, de promover e fortalecer a participação de todos que atuam no movimento praticando a mudança e dando oportunidades de construção individual e coletiva, levando este comprometimento das pessoas, através do exercício da educação com cidadania, construindo uma sociedade mais justa, onde cada integrante se coloca como elemento fundamental, do processo educativo, descobrindo e exercitando uma sociedade mais sustentável.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ARROYO, Miguel. Acontribuição do pensamento de Paulo Freire para a construção do projeto popular para o Brasil. Palestra proferida no Curso de Formação de Formadores do Projeto Popular , para o Brasil, realizado em Consulta Popular em Ibirié, MG, 19 fev, 2003
Alfabetização de jovens e adultos: didática da linguagem. 3.ed. Rio de Janeiro: MST,1998. (Série cadernos de educação; n.4)
BELLO, José Luiz de Paiva. Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL. História da Educação no Brasil. Período do Regime Militar. Pedagogia em Foco, Vitória, 1993. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10a.htm>. Acesso em: 20 abril2012.
DO PIERRO, Maria Clara (Cood.). Seisanos de educação de jovens e adultos no Brasil: os compromissos e a realidade. São Paulo: Observatório da Educação/ AçãoEducativa, 2003.
Freire, Paulo. Açãocultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paze Terra, 1981
______________. A educaçãona cidade. São Cortez, 1991.
______________. Educaçãocomo prática da liberdade. 16. Ed. Rio de Janeiro, 1985
______________. Pedagogiada autonomia : saberes necessários à prática educativa. SãoPaulo: Paz e Terra, 1992.
_______________. Pedagogia da esperança. Um encontro com a pedagogiado oprimido. 13. Ed.São Paulo : Paz e Terra, 1992.
_______________. Pedagogiado oprimido. 24. Ed.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
FUNAP. Secretariada Administração Penitenciária do Estado de São Paulo . Amatemática na vida vivida 1. CeliAparecida Lopes Espasandim. São Paulo, julho, 2005.
______________. Trabalho: formae valores . JorgeLuis Camarano Gonzales. São Paulo,maio de 2005.
_______________. As palavrase a vida . LuisPercival Leme Britto. São Paulo , março 2005.
RIBEIRO, Cláudio da Silva. Movimentos sociais e Educação. v.1 Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2007.


